Resumo
Este artigo analisa como se configuram as necessidades habitacionais na Política Federal de Habitação da Argentina (2003-2023), a partir do estudo de três projetos implementados na Área Metropolitana do Grande Resistência (Chaco, Argentina). O objetivo central é demonstrar que as necessidades habitacionais não são “dadas” nem neutras, mas resultam de processos de disputa política e social que incidem em sua definição. A metodologia adotada foi qualitativa-indutiva, baseada em análise documental, entrevistas em profundidade e reconstrução de mapas de atores, o que possibilitou identificar os diferentes momentos do processo de configuração das necessidades. Os resultados indicam que as interpretações que se legitimam correspondem a correlações de forças desiguais entre atores estatais, técnicos e comunitários, condicionando os programas e projetos habitacionais executados. Concluísse que compreender esse processo é essencial para formular políticas habitacionais mais inclusivas, e propõe-se avançar na construção de uma teoria das necessidades habitacionais básicas multidimensionais consensuadas como fundamento de políticas integrais de habitação.
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