Resumo
O cinema experimental, entendido como conceito poroso originado no mundo ocidental, teve uma vertente estruturalista que influenciou a produção de filmes particulares realizado na América Latina, as quais distanciaram-se, em certa medida, dos postulados do terceiro cinema, que floresceu durante as décadas de 1960 e 1970. Por volta dessa época, e imediatamente depois, nas décadas de 1980 e 1990, emergiram duas cineastas e artistas visuais: Narcisa Hirsch, nascida em Berlim, mas desenvolvendo a sua obra na Argentina, e Rose Lowder, nascida em Lima e trabalhando a sua obra na Franca. À primeira vista, poder-se-ia dizer que suas peças fílmicas dialogam com o estilo e os objetivos do chamado de cinema estrutural de origem anglo-saxônica. Contudo, a pesar de partirem desse movimento cinematográfico, as duas cineastas não pretenderam aderir estritamente aos seus cânones. Assim, refletimos sobre as ressonâncias fílmicas que Hirsch e Lowder propõem para além dos fundamentos do cinema estrutural. Para tanto, começamos com uma discussão sobre como definir cinema experimental e estrutural, citando autores de Ocidente e América Latina, como Duncan Reekie, A. L. Rees, P. Adams Sitney, Peter Gidal, Juan Pablo Lattanzi, Andrea Giunta o Silvestre Byrón. Em seguida, analisamos peças fílmicas de Hirsch e Lowder em relação a outros autores diversos. Isso lançará luz sobre duas figuras femininas chave que propõem uma transformação na linguagem cinematográfica, questionando não apenas como as imagens podem ser percebidas, mas também como o conceito de cinema experimental é compreendido dentro e fora da região.
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